Change Management - Gerir a Mudança sem perder a noção do rumo

A Empresa estática e tradicional morreu – é um veredicto incontornável. A globalização, a acelerada e contínua evolução tecnológica, a emergência de novos segmentos de consumidores com elevados graus de informação e exigência, novas formas de organização do trabalho, entre inúmeros outros factores, determinaram esta realidade.

Dizer, na actualidade, que “uma Organização ESTÁ em fase de mudança” tornou-se pouco objectivo e desnecessário. Na realidade, qualquer Organização “VIVE e EXISTE em mudança” contínua, por motivos endógenos e exógenos.

Como preparar o Capital Humano para o desafio da constante flexibilidade e adaptabilidade? Seguramente, não será com as atitudes, comportamentos e enquadramentos organizacionais de há 20 ou 30 anos atrás.

Nos tempos actuais, as organizações devem apostar em “institucionalizar” determinadas práticas:

Strategic Awareness:
Os colaboradores deverão ter, permanentemente, a noção de qual a estratégia da empresa, objectivos, suas condicionantes, factores de mudança e factores críticos de sucesso; apenas assim poderão, consoante o empowerment instituído, assumir uma postura materializada em atitudes e comportamentos positivos para os objectivos corporativos; e, consequentemente, numa perspectiva de auto-avaliação, ter uma noção exacta da sua contribuição individual.
 
Autonomia, Polivalência e Flexibilidade:

A prevalência de cargos com responsabilidades/ tarefas rígidas é a resposta rápida e eficiente aos desafios do mercado; como tal, mantendo um núcleo duro de tarefas, cada função terá de ter capacidades para uma “geometria variável” de respostas e tomadas de decisão;

Cultura de Risco:
Ter uma cultura de risco significa saber discernir o risco (e a oportunidade) que existe em cada mudança e em cada opção/ decisão que tomamos; as empresas terão de “educar” os seus colaboradores e gestores para pensamento de risk assessement, monitorização dos níveis de risco e manutenção de um ambiente de controlo adequado;

Apologia da criatividade, da inovação…e da emoção:
É essencial a promoção de uma cultura que privilegie as capacidades de inovação do capital humano das organizações. Como tal, há que estabelecer boas práticas de partilha de Conhecimento e de reconhecimento pelo uso da criatividade na resolução de problemas. E, claro, deixar que as competências emocionais dos colaboradores sejam catalizadores destes processos.

O que significa isto para um processo de change management? Significa proporcionar à Empresa os pilares essenciais para se adaptar constantemente, de forma pró-activa, a um ritmo assumido e controlado e de acordo com o rumo definido na sua Visão e Objectivos Estratégicos. A partir daqui, seja qual for a natureza da mudança (novos processos e organização, novo software ou reorientação para novos mercados), as actividades essenciais dos projectos de change management terão de ser operacionalizadas: o envolvimento e convite à participação de todos os interessados e a comunicação interna, constante e segmentada (o silêncio é, seguramente, a pior opção, convidando a ruídos, distorções e “fabricação” de factos incorrectos).

Uma correcta formação contínua é essencial com vista a dotar os colaboradores destas atitudes, comportamentos e preocupações. Não está em jogo apenas formar para aperfeiçoar práticas e aumentar resultados; neste contexto, está em jogo a sustentabilidade e sucesso da Empresa no longo prazo.

Carlos Sezões
Managing Director da LearnView