Que competências? Que “Ser” hoje em dia?

“Tolo é aquele que afundou o seu navio duas vezes e ainda culpa o mar.”

Nos dias que correm, as exigências são cada vez maiores no que concerne às competências exigidas, quer na esfera pessoal, quer na esfera profissional.
Sim! Aparentemente, precisamos de deixar de ser pessoas impulsivas, repletas de instintos, para mostrarmos que somos seres quase perfeitos, mesmo que não o sejamos e capazes de estarmos sempre harmoniosos no relacionamento connosco e com os outros.
Todos os dias nos exigem uma comunicação clara e sem rodeios, um comportamento exemplar de respeito pelos direitos próprios e dos outros, capacidade de instruir, gerir pessoas, controlar emoções, fazer tudo no mais curto espaço de tempo, e sempre com criatividade!
Pois é, é este o nosso mundo, e por isso vamos aprender algo com ele!
As inúmeras teorias comportamentais defendem várias perspectivas sobre esta questão do comportamento e suas competências. Defenderemos neste artigo, aquela que nos diz, que nada é tão simplista e que por isso, nós seres humanos somos fruto de uma componente genética - da predisposição, e do adquirido - resultante de aprendizagens realizadas ao longo da nossa estadia na vida.
Neste sentido, a assertividade (To Assert; afirmar), enquanto opção comportamental exemplar, cheia de direitos e deveres equilibrados em prole do próprio e dos outros, permite-nos não só promover um relacionamento interpessoal mais justo e positivo, mas também uma performance profissional mais eficaz. Tudo gira em volta da atitude que temos para connosco e para com os outros. Aqui, a gestão de conflitos torna-se mais fácil, até porque a resolução dos conflitos internos, os tais intrapessoais, dão-nos uma plataforma mais sólida para a resolução dos possíveis conflitos interpessoais (seja na relação one-to-one, seja no team-work).
A relatividade com que instrumentalizamos a percepção, no quadro da assertividade, e das competências pessoais e sociais, permite-nos relativizar os outros e as situações de forma mais cuidada e sistémica. Os pormenores, as entrelinhas, adquirem a sua importância de peso ideal na respectiva balança da categorização e da abordagem dos contextos, dos fins e das pessoas.

Citando um poema de António Aleixo:

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.
Porque será que nós temos
Na frente, aos montes, aos molhos
Tanta coisa que não vemos
Nem mesmo perto dos olhos!

Pois é, mas sem emoções deixamos de ser o que realmente somos: alguém diferente e próprio, irrepetível, o que não significa que isso traga ao de cima o menos bom, o menos coerente, o menos aceitável que tenhamos -  pelo contrário, teremos a riqueza da diversidade.
A arte reside em gerir este pacote cheio de sentimentos e emoções, que arrastam consigo vivências positivas e menos positivas, mas que nos enriquecem e que nos ajudam a seleccionar, agir, reagir, a ser o melhor ser humano possível, independentemente das “travessuras” que, por vezes, o nosso auto-controlo nos prega.
Hoje é consensual que, trabalhando a Inteligência Emocional e a Assertividade (nomeadamente, em contexto de formação), teremos a capacidade de refinar essa arte e construirmos relações sólidas, que perdurem no tempo, com valor para nós e para as equipas e organizações em que estamos inseridos.

Paula Avelino